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Conversa de Homens

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Querido diário...

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Já se ouviu por aí que antigamente, todos ficavam irritados quando alguém lia o nosso diário e que hoje vamos aos arames se ninguém lê o que publicamos sobre a nossa vida mais íntima.

 

Mudança dos tempos, passamos do oito para o oitenta em menos de uma década. Criticámos as "coscuvilheiras" e abraçamos sem pestanejar o Facebook, a mãe delas todas. Fomos "obrigados" a isso. Para existir, temos de partilhar, partilhar, partilhar... ou corremos o risco de deixar de existir. Deixamos de receber os parabéns no dia de aniversário, somos esquecidos pelos "amigos".

 

Sem dúvida que o Facebook, as redes sociais, permitem manter as pessoas ligadas, mesmo à distância. Mas, convém não esquecer como surgiu. Nasceu como uma rede para mostrar as caras, uma espécie de livro de rostos para escolher "amigos". Mas, na verdade, a distância entre as pessoas aumentou. Tal como nos argumentos do cinema, podemos aplicar a máxima: "E se não existisse Facebook?" Será que os amigos iriam manter as ligações e proximidade. Marcar encontros no café, apenas para estar. Muitas vezes, simplesmente para estar!

 

Iriam fazer "um esforço" para visitar os amigos que moram a pouco mais de 10 ou 15 quilómetros, uma distância imensa para um português!

Acredita, meu querido diário, as tuas páginas têm as melhores recordações de sempre!

Graças ao Facebook, vamos vendo à distância, espreitamos por detrás do computador ou smartphone, a janela dos "amigos". O que fazem, o que dizem, o que comem, o que bebem, com quem andam e por onde andam. Ou não sabemos absolutamente nada e achamos que sabemos. Não sabemos se aquela foto a sorrir esconde um problema, não sabemos se a mensagem que nos foi enviada a uma hora estranha, por um amigo que nem sequer costuma "andar" pelo Facebook, com uma foto, é uma espécie de despedida de alguém que sabe que vai partir e guarda a dor para si. Não sabemos. Porque estamos perto, mas muito longe.

 

Uma amizade é para manter bem perto. Não vinga à distância. Podemos manter as saudades, as recordações, mas o contacto humano é algo que a tecnologia não substitui. Ou melhor, está a substituir mas nunca será a mesma coisa. Agora, podemos dizer, fazemos uma chamada em vídeo para o neto falar com os avós. E eles sorriem, e choram a cada chamada. E quando as câmaras se desligam, voltam ao seu isolamento. Sem sentir o cheiro, o toque dos netos. Em breve, dizemos, em breve vamos aí. Vamos dizendo, até ao dia em que quando vamos, já é tarde.

 

Há poucas semanas tive o privilégio de rever aquele que, sem dúvida, é o meu maior amigo de infância. O companheiro que viveu os tempos de juventude, as partes boas, as menos boas, a boémia, os riscos... aquele que ajudou a passar os momentos em que se fica com o coração partido, que fez comigo uma viagem inesquecível por esta fase da vida. E quando digo "aquele", falo de uma pessoa que personifica um grupo de amigos que faziam tudo juntos.

 

Reencontrámo-nos e, em parte, foi estranho. Parece que o tempo parou desde o último dia em que nos vimos e deixámos passar quase 20 anos até ao reencontro. Vivemos com o mundo digital a compensar a realidade. Permitimos que ele nos afaste do contacto direto, de procurar pessoalmente aqueles que nos marcaram, e olhamos para o número de "amigos" do Facebook.

 

Sim, querido diário, há uns anos isto era escrito num livro com um cadeado frouxo, que se abria sem entrave, mas que nos dava aquela confiança. Hoje, escrevo aqui, aberto ao mundo. Será boa esta partilha?

 

Será que é desta forma que o futuro nos vai tornar em seres virtuais? Não sou adepto da cruzada anti-tecnológica. Pelo contrário, abraço a tecnologia e sou, isso sim, uma espécie de fanático por gadgets, fascinado pela tecnologia. Mas também por isso sinto falta dos amigos na sua forma humana. Das alegrias, das tristezas, das conversas e confidências, das discussões, das cervejas (girafas) acompanhadas de batatas fritas, regadas com um frasco inteiro de Ketchup, às 4 da manhã, num bar que em tempos foi uma carruagem de comboio.

Que saudades do cheiro da praia ao nascer do sol...

 

Das saídas combinadas com amigas (tudo combinado, do género tu ficas com aquela e eu com a outra) e das trocas de namorada inesperadas no regresso de uma ida ao WC. Encolhe-se os ombros e siga...

 

Isso não se vive atrás de um computador. É disto, querido diário, que tu sentes saudades. Estás empoeirado, e continuas a guardar segredos antigos, substituído por um computador que não consegue guardar uma única sílaba. Mas, acredita, meu querido diário, as tuas páginas têm as melhores recordações de sempre!

 

PS - O meu diário não é o da foto. Esse, continua a ser secreto!

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